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Soltando o verbbo com Roberto Germano CEO da MOV Bodyboards

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Por: Alex Muniz (alexmunizz.projeto90em90)

Pense num cara apaixonado pelo bodyboard. Agora pense num cara que, além disso é um empreendedor nato: Esse é Roberto Germano! Nascido no litoral de São Paulo na cidade do Guarujá, Roberto Germano começou a surfar com 12 anos de idade com uma prancha emprestada de um amigo. Entre estudar, trabalhar na praia e surfar, a terceira opção era a que ele mais gostava! Mostrando talento, logo vieram as competições que projetaram o garoto do Guarujá para o cenário do bodyboarding nacional. Competindo, ganhando e conhecendo novas pessoas e culturas, Roberto se tornou um destaque no meio. Em 2007 veio a ideia e o desejo de ter sua própria marca, fundando então a Mov junto com seu irmão, André Germano. Nada mais justo do que uma entrevista para conhecermos um pouco mais do atleta, empresário e saber sobre a sua marca, seus projetos dentro do esporte e planejamentos para os próximos anos.

Conta pra gente como foi a tua história, como foi essa transição de atleta para empresário, o que você levou como experiência das competições para o empreendedorismo e como surgiu a MOV?

Bom, vamos por partes. Não houve a tal transição. Eu trabalhava na época na Genesis bodyboards e eu vi uma oportunidade quando eu fiz um curso no Sebrae, onde você criava empresas dentro de empresas. Achei interessante ter a possibilidade de fazer a minha prancha, com conceitos diferentes. Eu já era ex-atleta competidor nessa época, mas vivenciava o meio, como diretor de marketing, gerenciando os negócios, cuidando das comunicações internacionais, o projeto da prancha dupla, marketing de relacionamento entre atletas, escolinhas de bodyboard, campeonatos, treinamentos, workshop, vídeos de bodyboarding, enfim, vi que poderia aplicar tudo o que aprendi para o meu negócio e convidei o meu irmão para abrirmos a marca, usando a tecnologia e estrutura dos equipamentos da Genesis que estavam à nossa disposição.

Bodyboarder master, movimentando o esporte

Qual é o significado real da palavra MOV? Nas redes sociais da marca, sempre é destacada a frase Cultura MOV. O que é essa cultura que você quer implementar dentro do esporte e qual o seu objetivo de fato além da venda de pranchas de bodyboard?

Então, o pessoal pronuncia MOV, mas a pronúncia correta é MUV. A cultura MOV é MOVIMENTO! Criamos a MOV para começar a apoiar o projeto das escolinhas de bodyboarding no Guarujá, movimentos sociais com ações, movimentos sócio-econômicos entre outros. A cultura MOV é de movimentar, de fazer acontecer, de criar coisas diferentes e ter a griffe que também identifique o bodyboarder aonde ele for, usando roupas, calçados e acessórios com a nossa marca. A ideia é expandir a MOV a todos aqueles que buscam por movimento. Essa é a palavra-chave para criarmos essa identidade e difundir a nossa cultura com todos os que simpatizam com a nossa visão.

O mercado do bodyboarding voltou a aquecer no segundo semestre desse ano após a longa parada por conta da pandemia. Vários campeonatos acontecendo, circuito brasileiro confirmado e o pessoal voltando a surfar. Fala pra gente como você tá vendo o mercado, sobre a nova fábrica e onde podemos encontrar as pranchas da MOV bodyboards?

O mercado deu uma aquecida nos eventos e era lógico que iria acontecer e isso é muito bom, porque as pessoas ficaram muito tempo dentro de casa. Atletas sem competir, alguns sem surfar e outros praticando algum esporte nesse tempo. Eu tenho a certeza que esse ano o circuito será um sucesso, porque as pessoas vão querer ir à praia assistir aos eventos para reencontrar os amigos, para voltar a competir, para voltar ao mar… vivemos um momento de silêncio e esses tempos difíceis serviram de aprendizado, pois pandemia nos ajudou a entender mais sobre a coletividade acima da individualidade. As pessoas estão vendo a importância da prática de esportes como saúde e qualidade de vida. Graças à prática e o histórico de exercícios físicos, muitas pessoas conseguiram vencer o vírus e outras doenças. No entanto, muitos ganharam peso nesse tempo que ficaram em casa e estão procurando correr atrás do prejuízo pra entrar em forma e encomendando as pranchas.

Partindo da visão desse retorno às atividades desportivas, vislumbro um futuro de vendas muito bom no esporte.
O mercado econômico-financeiro continua um pouco mais devagar por causa da escassez da matéria-prima, da alta do dólar e isso pega toda a área de indústria e não seria diferente conosco, mas são sinais de movimento novamente. Quanto a abrir uma fábrica, é um desafio! não é fácil sair de uma empresa estruturada pronta para fazer a sua.
Mas eu tenho uma história, nasci no morro do engenho, no Guarujá, fui um atleta campeão, eu e meu irmão nos tornamos microempresários e continuamos com um carreira vencedora e de superação. Posso afirmar que, André Germano, meu irmão, é o braço forte da MOV. Ele está antenado em tudo e trabalhando incessantemente para que tudo aconteça de forma perfeita. Estamos evoluindo muito e temos um produto homologado no mercado que é a Freedom. Testamos incansavelmente essa prancha que é ideal para quem pega onda e tem um surfe de linha de onda de base, com poucas manobras aéreas explosivas. Ela é perfeita para quem está começando no esporte e quer um produto de excelente qualidade com preço justo. Lançamos na premiação das etapas do circuito brasileiro que apoiamos em 2018 e 2019 e tivemos um excelente retorno de atletas que surfaram com esse modelo. As pranchas profissionais já estão sendo homologadas e a nossa equipe está testando esses modelos como o campeão mundial Léo Chagas, o Cesinha lá do Paraná que eu já queria patrocinar a tempo, entre outros. Como estamos nesse processo de reestruturação, crescimento e consolidação, a venda das nossas pranchas é feita no nosso site mas temos nossa equipe de representantes pelo Brasil.

Roberto e André, os irmãos Germano da MOV

Falando então da prancha profissional, qual é o diferencial da tua prancha para as outras no mercado?

Cara, o diferencial da nossa prancha é o André Germano (risos)! Ele é incrível e diferenciado. A visão dele para configuração, construção, design de pranchas e pesquisa de mercado é fora da curva. Ele é aficcionado por novidades e ávido por conhecimento. Estamos criando situações e aprendendo a trabalhar, com acertos e erros, com a colaboração de amigos de vários países, amigos que trabalham em fábricas internacionais e tudo isso para oferecer uma prancha de alta performance para qualquer tipo de condição de ondas, comparadas em pé de igualdade com as pranchas havaianas, americanas e australianas. É diferente o processo para trabalhar com bloco PP de alta performance mas estamos acertando para chegar ao nosso objetivo. Os testes estão sendo bem positivos, o Léo tá com um modelo alucinante, tá quebrando as ondas; o Cesinha fez final no catarinense com esse modelo profissional. Eu sou da área do marketing e promoção, mas sou atleta e sei o que é bom e ruim e meu irmão também! Então vamos pra água pra corrigir acabamentos, ângulos, qualidade dos materiais e trabalhamos com o melhor em matéria prima. Gostaria de frisar aqui algo importante que muita gente talvez não saiba de fato:

Nenhum material de bodyboard é fabricado no Brasil. Todos são importados! As marcas e fábricas são nacionais porém a matéria prima (blocos, decks, fundos etc) e até alguns equipamentos são importados. O que trabalhamos é com o melhor que tem no mercado. Precisamos ter marcas nacionais de bodyboard sim, porque as marcas estrangeiras não apoiam a gente como todos pensam.

Você é atleta, empresário mas também já se viu como dirigente de alguma federação ou até mesmo presidente?

Bem, não me vejo como dirigente, mas sempre trabalhei muito com o pessoal da organização, na época do Washington no circuito paulista, desde o primeiro evento, pra montar a estrutura do campeonato e correr a etapa. Me lembro que eu cheguei na praia com uma bicicleta velha, 2 ovinhos e um pão que minha avó fez, uma garrafinha de tang, bermuda costurada, pé de pato costurado, uma mach 7.7 cheia de alga e ganhei o evento na categoria iniciante. O esporte mudou a minha vida. Sempre fui muito participante nos eventos trabalhando com estrutura, escolinha etc. Ajudei bastante quando cheguei em Santa Catarina, ajudei quando disputava no Paraná as etapas do master e hoje em dia sou conselheiro da Federação Catarinense no qual ajudo nos projetos sociais e na escolinha Bodyboard para todos. Fazemos por amor ao esporte mesmo porque a prefeitura paga uma ajuda de custo mas é mesmo para estarmos reunidos. Grandes nomes trabalham nesse projeto como Ronaldo Figueiredo, Wanderley Lobo, Cris Fontoura, o Luciano que foi campeão profissional e outros super atletas daqui do sul do país que trabalham na federação. Meu lance mesmo é na locução, no marketing, mas não me vejo no comando. Hoje eu tenho meu tempo dedicado a MOV.

Solte o verbbo ai pra galera, deixando suas considerações finais.

Quero agradecer ao Elmo pela oportunidade e no futuro pretendo fazer novamente projetos com ele e homologá-los. Parabéns a Ride It!, conheço o longo trabalho do Elmo durante anos dedicados ao bodyboarding. Não é fácil chegar e montar uma fábrica, uma estrutura, não é barato, mas o mercado é grande pra caramba. O mais importante é acreditar no teu potencial, num sonho e que possamos nos unir para fortalecer o esporte. Se o cara tem uma marca, é a outra marca maior possa ajudar a vender o produto e fazer circular dentro do nosso mundo, assim por diante, fortalecendo aqueles que sempre apoiaram e investiram no esporte, sendo pequenos ou grandes. Não vamos deixar empresários sanguessugas, que nunca entraram na água e que não conhecem de fato o nosso estilo de vida invadir o nosso espaço, o nosso mercado. O esporte precisa estar nas mãos de quem surfa!!! Vamos nos ajudar mutuamente! Continuem acreditando, vamos orar uns pelos outros, pela cura efetiva contra o covid, pelos nossos governantes.
Eu e meu irmão somos cristãos, cremos muito em Deus e que Jesus possa mudar a vida de muitas pessoas como tem mudado a nossa; esperamos nos encontrar dentro d´água, conversando, rindo muito e vibrando uns com os outros. Valeu, Alex. Deus te abençoe!!!




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